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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Maus-tratos a animais seguem em alta no PI e somam 61 casos em janeiro de 2026

Os crimes de maus-tratos a animais continuam em patamar elevado no Piauí e já somam 61 boletins de ocorrência apenas em janeiro de 2026, segundo dados da Polícia Civil. Em todo o ano de 2025, foram 808 registros no estado, número que representa o maior volume dos últimos anos e reforça que o problema deixou de ser pontual.

Maus-tratos a animais seguem em alta no PI e somam 61 casos em janeiro de 2026/Reprodução 

Em entrevista ao Jornal Cidade Verde, o delegado da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente, Willame Moraes, afirmou que o crescimento é perceptível em todo o estado, embora a capital não apresente aumento tão expressivo.

“Houve um aumento significativo das ocorrências de maus-tratos no estado do Piauí como um todo, embora a capital não tenha aumentado tanto. Se compararmos 2024 com 2025, aqui em Teresina o acréscimo foi de 45 boletins, mas no estado o crescimento foi bem maior”, explicou.

Nem todos os casos viram crime 

Segundo o delegado, parte desse aumento está relacionada à maior conscientização da população, que passou a denunciar mais. No entanto, nem toda denúncia resulta em crime, já que a legislação exige a comprovação da intenção de maltratar.

“O crime de maus-tratos exige a vontade de maltratar. Sem esse dolo, não há crime. Pode haver infração administrativa, mas criminalmente a pessoa não responde”, destacou.

Willame Moraes citou casos em que famílias vivem em situação de extrema vulnerabilidade social e não têm condições financeiras de cuidar adequadamente dos animais. “Às vezes a pessoa divide o próprio prato com o animal. Se tivesse condições, aquele animal sofreria? Não. Então não há dolo”, explicou.

Acumuladores de animais preocupam autoridades

Outro cenário recorrente envolve acumuladores de animais, situação que, segundo o delegado, exige atenção especial e acompanhamento psicológico.

“Temos muitos casos de pessoas com 30, 50 gatos dentro de casa, sem condições mínimas de higiene. Imagine um apartamento pequeno com dezenas de animais. Isso não é amor, é um problema de saúde”, alertou.

Nesses casos, os animais são resgatados, mas a delegacia enfrenta dificuldades para acolhê-los. “A lei determina que, constatados maus-tratos, o animal não pode permanecer com o dono. O grande problema é: para onde esses animais vão? As ONGs estão lotadas e muitas passam por dificuldades financeiras”, disse.

Poder público e saúde pública

O delegado ressaltou que a responsabilidade pelo acolhimento e cuidado dos animais é do poder público, especialmente dos municípios, mas a falta de recursos acaba agravando o problema.

“Isso é uma questão de saúde pública. Animais abandonados se reproduzem, sofrem atropelamentos e podem transmitir doenças para outros animais e até para seres humanos”, afirmou.

Outros tipos de crimes

Além de cães e gatos, a polícia também registra casos de animais silvestres mantidos ilegalmente."A lei diferencia as penas. Para animais silvestres, a pena é de três meses a um ano. Para cães e gatos, a reclusão é de dois a cinco anos”, explicou o delegado.

Como denunciar maus-tratos

Denúncias de maus-tratos a animais podem ser feitas de forma online, por meio da Delegacia Virtual da Polícia Civil do Piauí, presencialmente em qualquer delegacia, pelo BO Fácil, via WhatsApp, ou pelo 190, em casos de flagrante.

Fotos, vídeos, testemunhos e exames veterinários ajudam a fortalecer as investigações. Com informações do Portal Cidadeverde.com

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