O elenco do Parnahyba que disputou o Campeonato Brasileiro Série D de 2026 denunciou a falta de energia e de alimentos no CT Petrônio Portela, em Parnaíba. Segundo um dos jogadores, além das dívidas salariais pendentes referentes ao mês de maio (30% da folha) e junho (folha completa), os atletas enfrentam problemas relacionados à alimentação após o encerramento da competição nacional.
Além disso, houve o corte do fornecimento de energia no centro de treinamento da equipe azulina. Um dos atletas, que preferiu não se identificar, relatou ao ge a situação enfrentada pelos jogadores nos últimos dias.
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| Jogadores do Parnahyba alegam falta de energia e alimentos no CT do clube/Reprodução Arquivo pessoal |
- Eu cheguei ontem em Teresina, mas lá estava com esse problema de energia, que a alimentação estava sendo regrada, mas fiquei sabendo também que essa energia lá foi cortada, não sei por que o motivo, mas a coisa está feia. E também a questão dos valores que ninguém sabe sobre quando é que vai ser pago. Ainda não tivemos notícia de nada ainda (sobre os pagamentos) - explicou um dos jogadores. Dias antes, o elenco do Parnahyba havia denunciado os atrasos salariais referentes aos meses de maio e junho. A diretoria reconheceu a existência do débito e atribuiu a situação à demora na liberação dos recursos anunciados pelo Governo do Estado para os clubes piauienses.
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| Jogadores do Parnahyba alegam falta de energia e alimentos no CT do clube/Arquivo pessoal |
Segundo o clube, o passivo gira em torno de R$ 200 mil. A diretoria também sustenta que os clubes do futebol piauiense aguardam cerca de R$ 6 milhões em repasses de patrocínios do Governo do Estado. O valor citado pelo dirigente refere-se ao montante global destinado aos clubes piauienses. Os valores individuais de cada equipe não foram informados. Um dos atletas que seguem ligados ao caso é o atacante Erick Silva. Procurado pelo ge, o jogador afirmou permanecer em Parnaíba enquanto aguarda o pagamento dos valores pendentes e relatou dificuldades nos últimos dias.
- Presidente propôs pagar a gente no dia 30, que dava na terça-feira. Está devendo 30% do mês de maio e o mês de junho completo. Ou seja, ele está há mais de um mês e meio sem pagar a gente. Chegou na terça-feira, e ele disse que não tem dinheiro para pagar a gente, porque o Governo não tinha repassado e só falou isso. E foi embora. Foram passando os dias, a maioria foi indo embora. Alguns tem clubes, tem suas casas, famílias, recursos.
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| Erick, atacante do Parnahyba/Reprodução Weslley Douglas |
- Chegou na quinta-feira, ele começou a parar de comprar alimentos. Não tinha nada para a gente comer. Comprei um lanche de R$ 26, não sobrou nem R$ 10 na minha conta. Na sexta-feira, a tia veio cozinhar para a gente aqui e falou: "Só tem comida para fazer o almoço para vocês. O jantar, aqui, não compraram e falaram que não vão comprar mais". Chegou em alguns torcedores, eles fizeram uma compra para a gente aqui - citou ele.
O atacante também comentou sobre o caso envolvendo a interrupção do fornecimento de energia no CT Petrônio Portela.
- Na sexta-feira cortaram a luz. A gente chamou o eletricista para religar a luz. Ontem, cortaram novamente. Nisso que cortaram a luz, eu saí correndo para o lado de fora para ver quem era. Era um cara de regata, bermuda e chinelo. Saiu correndo em uma moto. Após isso, eu liguei para fornecedora de energia perguntei se eles tinham cortado a luz. Eles falaram que não mandaram ninguém cortar a luz. Ou seja, a mando de alguém cortaram a luz aqui - reiterou Erick.
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| Jogadores do Parnahyba alegam ter recebido ajuda de torcedores/Reprodução Arquivo pessoal |
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| Jogadores do Parnahyba alegam ter recebido ajuda de torcedores/Reprodução Arquivo pessoal |
Sobre a possibilidade de retornar para casa, Erick Silva afirmou que aguarda o recebimento dos valores devidos pelo clube.
- O sindicato está tentando resolver a questão da nossa passagem. Alguns estão tentando ir embora hoje. Minha situação é a seguinte. Eu estava contando com o dinheiro para me manter até conseguir um novo clube. Para vir para cá, eu tirei o dinheiro do meu próprio bolso. O clube disse que ia me ressarcir. Fiquei sem dinheiro nenhum. Não adianta conseguir passagem, eu ir para casa e não ter para onde ir - reclamou o jogador.
Segundo o atleta, o valor que ele tem a receber do Parnahyba é de R$ 9.130.
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| Erick, atacante do Parnahyba/Weslley Douglas |
A reportagem procurou a diretoria do Parnahyba, por meio do presidente Eureliano Barros. Segundo o dirigente, o clube auxiliou parte dos jogadores no retorno às suas cidades de origem e contestou as denúncias de abandono.
A gente conseguiu muitas pessoas para ir embora. Alguns conseguiram ir também. Ficou um grupinho de oito jogadores. Quinta denunciaram para o sindicato, que estava em maus tratos. Tinha energia ainda. Tinha tudo. O sindicato me ligou e perguntou o que eu poderia fazer. Ofereci para irem embora, hospedagem, alimentação num trecho de decorrência de ir para casa. O sindicato entrou em ação e conseguiu mandar para casa um ou dois atletas. Na sexta, a gente mandou outros três - afirmou Eureliano Barros.
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| Eureliano Barros, presidente do Parnahyba/Reprodução Julio Costa |
Sobre a interrupção da energia, o dirigente apresentou versão diferente da relatada pelos atletas.
- Quando foi pela manhã, a fornecedora (de energia) cortou a luz. Quando foi à noite, um jogador mandou um eletricista fazer o 'gato' (forma de nomear o furto de energia realizado clandestinamente). Dormiram sexta. Na sexta, a gente tinha tirado quatro passagens. Tudo que foi combinado foi com o sindicato. Na sexta, dos quatro que eram para ir embora só ficaram dois. Mandei uma pessoa para desfazer o 'gato' que eles fizeram. Desligaram a energia. Eles (jogadores) me ligaram. O sindicato pagou para os atletas irem dormir em um hotel - citou ele.
A reportagem do ge entrou em contato com a Equatorial Piauí para esclarecer as circunstâncias da interrupção do fornecimento de energia no CT Petrônio Portela. Confira abaixo a nota da empresa.
Nota de Esclarecimento da Equatorial
A Equatorial Piauí informa que realizou o serviço de interrupção no fornecimento de energia no Centro de Treinamento do Parnahyba no dia 22/06, em Parnaíba, seguindo o procedimento padrão aplicado ao caso e alinhamento com as diretrizes do setor.
O presidente Eureliano Barros também confirmou os atrasos salariais relatados pelos atletas.
- A gente está devendo a última folha e 30% do salário do mês passado. Quando a gente se classificou, a gente combinou: "Gente, vocês querem que pague a folha ou a premiação?". Eles disseram: "Não, presidente. A gente prefere a premiação. Depois paga a folha". A opção de estar devendo 30 dias, a folha de maio, foi deles. 30% do mês de maio, que não foi paga porque eles trocaram um pelo outro (o pagamento da folha pela premiação) - afirmou o dirigente.
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| Jogadores do Parnahyba em campo contra o Águia de Marabá na Série D/Reprodução Weslley Douglas |
Procurada pela reportagem, a Associação de Garantia ao Atleta Profissional do Estado do Piauí (AGAP) informou que auxiliou nas tratativas para o retorno dos atletas às suas cidades de origem e na hospedagem de jogadores que ainda permaneciam em deslocamento. A entidade também confirmou que acompanha as negociações envolvendo os salários atrasados. Veja a nota na íntegra.
O Sindicato informa que, em conjunto com a FFP/Parnaíba/Fenapaf, conseguiu providenciar as passagens para praticamente todos os atletas. Neste momento, apenas um caso ainda está em fase de negociação. Os demais jogadores estão em suas cidades, em deslocamento ou com as passagens em mãos.
Em razão da interrupção do fornecimento de energia elétrica na residência onde alguns atletas estavam hospedados, o Sindicato providenciou, ainda na noite de ontem, hospedagem em uma pousada localizada em frente à rodoviária para os dois atletas que permaneciam no local. O atleta uruguaio encontra-se hospedado em um hotel em Teresina, aguardando seu embarque, previsto para a próxima terça-feira.
Em relação aos salários em atraso, ficou acordado que o pagamento será realizado assim que os recursos da ajuda governamental forem liberados. Há um trâmite burocrático para a liberação desses valores, e o Sindicato acompanhará de perto todo o processo de negociação até a regularização da situação. Dessa forma, podemos afirmar que aproximadamente 99% das questões já foram solucionadas, restando apenas a conclusão dos últimos encaminhamentos.
Repasse do Governo do Estado aos clubes
Em fevereiro deste ano, o Governo do Piauí anunciou um investimento de R$ 8 milhões em patrocínio aos clubes profissionais piauienses para 2026. O valor foi divulgado após reunião entre o governador Rafael Fonteles, representantes dos clubes filiados à Federação de Futebol do Piauí (FFP) e autoridades esportivas.
A quantia representa aumento de 17,64% em relação aos R$ 6,8 milhões destinados aos clubes no ano anterior. Na ocasião, não foram divulgados os valores destinados a cada equipe nem as datas dos pagamentos. Em nota, a Secretaria dos Esportes do Estado do Piauí (SECEPI) negou possuir débitos junto aos clubes.
A pasta afirmou que os recursos consistem em uma política pública de incentivo ao esporte e não possuem relação com despesas trabalhistas ou administrativas das equipes. A secretaria informou ainda que os procedimentos administrativos para viabilizar os repasses seguem em andamento.
A Secretaria dos Esportes do Estado do Piauí (SECEPI) esclarece que não possui qualquer débito financeiro com os clubes de futebol do Estado. O aporte financeiro destinado às equipes piauienses em 2026 consiste em um investimento do Governo do Estado, por meio da Secepi, voltado ao fortalecimento e ao desenvolvimento do futebol piauiense. Trata-se de uma política pública de incentivo ao esporte, e não de obrigação relacionada ao custeio das despesas operacionais, trabalhistas ou administrativas dos clubes, cuja responsabilidade é de cada instituição.
A SECEPI informa, ainda, que está conduzindo todos os procedimentos administrativos necessários para viabilizar os repasses previstos, observando rigorosamente a legislação vigente e os trâmites legais exigidos para a aplicação dos recursos públicos, sobretudo em período eleitoral, quando os processos demandam cautela redobrada, a fim de assegurar o pleno cumprimento da legislação e garantir a segurança jurídica de todos os atos da administração pública.
Eureliano Barros contestou o posicionamento da pasta e voltou a defender que os clubes aguardam recursos prometidos pelo Governo do Estado.
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| Eureliano Barros, presidente do Parnahyba/Reprodução Rede Clube |
- Desde dezembro que a gente expõe a marca do Governo do Estado na blusa. Não somente a gente, mas todos os clubes. Então, a palavra da Secretaria (Secepi) foi muito infeliz. Dizer que não deve nada a gente? A gente prestou nosso serviço, que é o que tinha lá, dizendo que a gente tinha que expor a marca do Governo do Estado e da Secretaria. Expor a marca dos dois e dizer que não deve nada à gente?
- E a Federação de Futsal já recebeu. E a data mais atrasada foi em abril. A gente trabalhou em vão? A Série B vai começar. Estão todos trabalhando de graça, lá. Eles (Secepi) devem R$ 6 milhões aos clubes. A gente não sabe nem quanto tem para receber do estado. Depois que a Secretaria produziu essa nota, criou foi um caos, um tumulto, depois disso. Agravou a crise - finalizou o dirigente.
Relembre último jogo do Parnahyba
O Águia de Marabá derrotou o Parnahyba por 2 a 0, no estádio Zinho de Oliveira, em Marabá, em partida válida pelo jogo de volta da segunda fase do Campeonato Brasileiro da Série D 2026. Os gols da equipe paraense foram marcados por Alex e Felipe Pará. Com o resultado, o Águia de Marabá reverteu a desvantagem para 3 a 2 no placar agregado — após ter perdido o jogo de ida por 2 a 1 — e avançou à terceira fase da competição nacional.
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| Águia de Marabá x Parnahyba - Série D do Campeonato Brasileiro 2026/Divulgação Águia de Marabá |
Com a eliminação, o Parnahyba encerrou a temporada de 2026 e não conseguiu garantir calendário nacional para o próximo ano. Em 2027, o clube disputará apenas a Série B do Campeonato Piauiense e precisará conquistar o acesso, além de chegar à final do estadual em 2028, para voltar ao cenário nacional em 2029. Com informações do senhor GE Piauí










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