sábado, 28 de março de 2026

Aluno de escola pública do Piauí é contratado por empresa da Rússia para ensinar programação

Aos 18 anos, o estudante Jhonata Lima Silva, aluno da 3ª série do ensino médio de uma escola pública do Piauí, conquistou uma oportunidade internacional ao ser contratado por uma empresa multinacional com sede em Moscou, na Rússia, para ensinar programação a jovens de todo o Brasil.

Jhonata Lima Silva, aluno da 3ª série do ensino médio/Reprodução SEDUC

Jhonata é aluno do Centro Estadual de Tempo Integral (CETI) Modestina Bezerra, em Teresina, onde também cursa a formação técnica em programação de jogos digitais. Morador do bairro Dirceu 2, na zona sudeste da capital, ele vive com a mãe e três irmãos.

Jhonata é aluno do Centro Estadual de Tempo Integral Modestina Bezerra/Reprodução SEDUC

Em janeiro deste ano, o jovem assinou um contrato de dois anos com a Kodland, empresa fundada na Rússia em 2018 e especializada no ensino de programação para crianças e adolescentes. Embora a empresa tenha sede em Moscou, Jhonata atua dando aulas para alunos brasileiros.

Aprendizado começou em plataforma da SEDUC 

Segundo Jhonata, o interesse pela programação começou ainda no primeiro ano do ensino médio, quando passou a estudar por meio de uma plataforma educacional disponibilizada pela Secretaria de Estado da Educação do Piauí (SEDUC), com cursos voltados ao desenvolvimento de jogos.

“Toda a lógica de programação, tudo o que eu ensino hoje, foi ensinado nessa plataforma”, contou. A formação técnica e o incentivo da escola ajudaram o estudante a desenvolver habilidades que mais tarde se tornaram decisivas para conquistar a vaga em uma empresa internacional. 

Vaga surgiu pelo LinkedIn

A contratação aconteceu após Jhonata encontrar a oportunidade no LinkedIn e se candidatar à vaga. “A empresa anunciou que estava com a vaga aberta, então me inscrevi, e eles me retornaram uma semana depois”, relatou.

De acordo com ele, os projetos desenvolvidos durante o ensino médio, além das competições das quais participou, foram fundamentais para fortalecer o currículo e chamar a atenção dos recrutadores.

“Acredito que os projetos que fiz ao longo do ensino médio também fizeram uma grande diferença, porque no meu perfil eu postei esses projetos, as competições que participei. Isso deve ter tido um impacto para a empresa confirmar que eu tinha conhecimento”, explicou.

Após a inscrição, Jhonata passou por testes para avaliar tanto a qualidade das aulas quanto o domínio técnico em programação — e foi aprovado. Hoje, ele atua como professor das linguagens Python e Scratch.

Dois caminhos para ensinar programação

O jovem explica que as aulas são voltadas para projetos práticos, com foco em estimular a lógica e a criatividade dos alunos. “A gente utiliza projetos reais para fixar o conteúdo que é ensinado em aula. A gente utiliza jogos simples, construindo lógicas simples de mecânica, física e artística”, disse.

O Python é uma das linguagens de programação mais populares do mundo, conhecida pela facilidade de leitura e aplicação em diversas áreas da tecnologia. Já o Scratch é uma linguagem visual, bastante usada para iniciantes e crianças, em que os comandos são montados por blocos coloridos, como peças de encaixe.

Além de ensinar, Jhonata já tem metas bem definidas para o futuro. 

“Eu tenho uma paixão por ensinar, de dar aulas sobre programação, matemática. O meu maior objetivo é conseguir me tornar um engenheiro de software. Eu quero trabalhar para fora do país e, se possível, conciliar com ensino”, afirmou.

Piauí lidera no ensino técnico e integral

A trajetória de Jhonata reflete um cenário de destaque da educação pública do Piauí no país. Segundo dados do Censo Escolar 2025, o estado é, proporcionalmente, o que possui o maior número de matrículas no ensino fundamental e médio em tempo integral na rede pública. O Piauí também lidera nacionalmente nas matrículas do ensino técnico integrado.

De acordo com o levantamento, 68,8% dos estudantes do ensino médio da rede estadual estão matriculados em algum curso técnico enquanto estudam em tempo integral. O percentual é o dobro do registrado pela Paraíba, segundo colocada, com 34,6%. A média nacional é de 20,1%.

Entre 2023 e 2025, o estado também universalizou o ensino médio em tempo integral. Atualmente, 100% da rede estadual oferece ensino nos dois turnos, com carga horária ampliada, atividades esportivas, culturais e formação técnica integrada. Com informações do jornalista Carlos Madeiro, colunista do UOL

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