A vereadora Tatiana Medeiros (PSB) foi presa em sua residência no bairro Jóquei, na zona Leste de Teresina, durante uma operação deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira, 3. A parlamentar deixou sua casa por volta das 7h50 em uma viatura, seguindo para a sede da PF. Ela estava acompanhada de outra mulher, além de seu advogado e tio.
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A vereadora Tatiana Medeiros (PSB) foi presa em sua residência durante uma operação deflagrada pela Polícia Federal/Reprodução |
A reportagem apurou que a ação investiga crimes eleitorais, possível envolvimento com facção criminosa e compra de votos com dinheiro proveniente dessa organização.
De acordo com a Polícia Federal, há indícios de que a campanha eleitoral de Tatiana Medeiros tenha sido financiada de forma ilícita e que sua eleição tenha ocorrido com o apoio de uma facção criminosa. Além disso, a investigação aponta possíveis desvios de recursos públicos de uma instituição não governamental. Ela foi eleita pela primeira vez nas eleições de 2024 com 2.925 votos.
O Cidadeverde.com entrou em contato com a assessoria da vereadora Tatiana Medeiros para comentar sobre o caso, mas, até o momento, não obteve retorno. O espaço segue aberto para esclarecimentos.
Além da vereadora Tatiana Medeiros, seu namorado, Alandilson Cardoso Passos, também foi alvo da ação da PF. O mandado de prisão preventiva contra ele foi cumprido em Minas Gerais, onde permanece detido desde novembro do ano passado, quando foi alvo de uma operação do Departamento Estadual de Repressão ao Narcotráfico (Denarc).
Alandilson foi preso em Minas Gerais sob suspeita de integrar uma facção criminosa. No momento da prisão, em 2024, ele estava acompanhado da vereadora e já tinha uma passagem comprada para viajar a São Paulo.
A parlamentar ficará presa na carceragem da Superintendência da Polícia Federal em Teresina. Amanhã (4), ela passará por audiência de custódia.
O presidente da Comissão de Prerrogativas da OAB-PI, Leonardo Queiroz, informou que a Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Piauí, não foi comunicada previamente sobre a operação da Polícia Federal, mas já está acompanhando o caso. Ele também reforçou que a instituição tomará medidas legais para contestar a ação.
"Nós, da OAB Piauí, não fomos comunicados sobre essa operação. Estamos tomando conhecimento apenas através da mídia e iremos prestar todo o suporte institucional, uma vez que ela é advogada. A Comissão de Defesa das Prerrogativas da OAB Piauí já está acompanhando o caso de perto. Inclusive, a OAB Piauí vai se habilitar no processo e pedir a nulidade deste ato que não observou a lei que diz que a OAB tem que ser comunicada previamente para acompanhar", afirmou o advogado.
O PSB esclareceu que ainda não tomou uma decisão definitiva sobre a situação da vereadora Tatiana Medeiros.
"Sobre a situação da vereadora, o partido ficou sabendo junto com a imprensa e precisa ter acesso ao inquérito para estabelecer os devidos processos legais, como já foi feito anteriormente", disse a sigla em nota.
Afastamento de funções públicas
Segundo nota da PF, esta é a segunda fase da Operação Escudo Eleitoral e cumpriu oito mandados, sendo dois de prisão preventiva, três de busca e apreensão e três de afastamento de função pública como vereadora e de cargos em comissão ocupados por investigados da Câmara Municipal de Teresina, da Assembleia Legislativa e da Secretaria de Estado de Saúde do Piauí.
“Além das medidas judiciais citadas, o Juízo Eleitoral determinou a suspensão das atividades da ONG, com o consequente impedimento de receber qualquer novo aporte de recursos, e a proibição dos suspeitos afastados de suas funções de frequentarem os locais que trabalhavam e de manter contato com outros servidores”, destaca a nota.
Confira nota na íntegra:
A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (3), a segunda fase da Operação Escudo Eleitoral, com o objetivo de combater a atuação de facções criminosas no processo eleitoral das Eleições municipais de 2024.
Policiais Federais cumprem oito mandados judiciais, sendo dois mandados de prisão preventiva, três de busca e apreensão e três de afastamento de função pública como vereadora e de cargos em comissão ocupados por investigados da Câmara Municipal de Teresina, da Assembleia Legislativa e da Secretaria de Estado de Saúde do Piauí. As ordens judiciais, cumpridas na capital piauiense e na cidade de Timon/MA, foram expedidas pelo 1º Juízo de Garantias da Justiça Eleitoral no Piauí.
A investigação, iniciada após a divulgação dos resultados das Eleições 2024, identificou elementos que apontaram vínculo entre candidata eleita ao cargo de vereadora na capital piauiense e expoente de facção criminosa violenta com grande atuação no estado.
Há indícios de que a campanha eleitoral da parlamentar foi custeada com recursos ilícitos oriundos de facção criminosa, bem como de desvios de recursos públicos de uma instituição não governamental.
Além das medidas judiciais citadas, o Juízo Eleitoral determinou a suspensão das atividades da ONG, com o consequente impedimento de receber qualquer novo aporte de recursos, e a proibição dos suspeitos afastados de suas funções de frequentarem os locais que trabalhavam e de manter contato com outros servidores.
Durante a deflagração, foi realizada ainda a prisão de uma pessoa que se encontrava com mandado de prisão preventiva em aberto.
Parlamentar alvo da 1ª fase da operação
Tatiana Medeiros é fundadora do Instituto Vamos Juntos, localizado na Avenida Boa Esperança, na zona Norte de Teresina. O local já foi alvo de buscas da Polícia Federal durante a primeira fase da Operação Escudo Eleitoral.
Durante a ação, foi cumprido um mandado de busca e apreensão, resultando na apreensão de R$ 100 mil em espécie no instituto.
Além disso, a parlamentar é namorada de Alandilson Cardoso Passos, um dos alvos da Operação Denarc 64. Segundo o delegado Samuel Silveira, Alandilson responde por crimes de tráfico de drogas, roubo qualificado, posse irregular de arma de fogo e seria ligado a uma facção criminosa que atua na capital.
No último final de semana, o PSB anunciou o afastamento de Tatiana Medeiros do cargo de secretária-geral do partido em Teresina. A sigla ressaltou ainda que abrirá um processo na comissão de ética devido às investigações policiais que envolvem a conduta da parlamentar na campanha eleitoral de 2024.
Em entrevista ao Jornal do Piauí nesta terça-feira (1°), a vereadora Tatiana Medeiros assegurou que não responde a nenhum tipo de processo criminal, cível ou eleitoral e considera as sanções partidárias parte de uma “perseguição” da qual é vítima. Informações Cidadeverde.com